Então está certo.
Abandonei aquele papel de santa. quero coração. sentimento, paixão. quero essas palavras que a gente encontra em versos e poesias de cartão mal escrito. fica combinado que, da próxima vez, você vai se divertir comigo. vai torcer pra mim sentado do meu lado. rir da minha piada. fica assim, então, combinado. eu choro só de madrugada, me chamo de tonta em frente ao espelho, borro com a mão o meu batom vermelho. puxo os meus cabelos. brigo. gritos e palavrões. portas batidas rachando as paredes aos poucos. perseguições. fica combinado que eu acredito em bonecos de noivos em cima de bolo cheio de creme. em fatia cortada de baixo pra cima. em goles de bebida em copos cruzados. combinado, então. eu me derreto com flores no meio do dia. acredito em frases quase dentro da orelha. em lambidas no pescoço. em telefonemas. me admiro com laço grande em caixa de presente. fica combinado que sou a boazinha, a paciente. a partir de hoje, coração no lugar. fica combinado que não haverá mais sofrimento, dor, só envolvimento. a partir de hoje, abandono de vez o papel de puta. a partir de hoje, só beijo você na boca"
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
domingo, 18 de abril de 2010
"quando eu envelhecer ninguém precisa me dizer como é estranho ser humano nessas horas de partida."
"não gosto da estação interior que substituiu a minha primavera: uma mistura de decepção, de secura e de rancor."
"...nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos-diamantes,
e de vibração parada.
E o Deus? Não.
Nem mesmo a angustia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito."
“Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas – mas eu também?!”
"Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos."
"...faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -
pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;
ela saíra agora da voracidade de viver."
"Gosto dos venenos os mais lentos
As bebidas as mais fortes
Dos cafes mais amargos
E os delirios mais loucos.
Voce pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
E daí
eu adoro voar"
"por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível.
sensível? não se sente nada.
senão esta dura falta de ópio que amenize.
quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade."
"não gosto da estação interior que substituiu a minha primavera: uma mistura de decepção, de secura e de rancor."
"...nada jamais fora tão acordado como seu corpo sem transpiração e seus olhos-diamantes,
e de vibração parada.
E o Deus? Não.
Nem mesmo a angustia. O peito vazio, sem contração. Não havia grito."
“Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas – mas eu também?!”
"Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos."
"...faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -
pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;
ela saíra agora da voracidade de viver."
"Gosto dos venenos os mais lentos
As bebidas as mais fortes
Dos cafes mais amargos
E os delirios mais loucos.
Voce pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
E daí
eu adoro voar"
"por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível.
sensível? não se sente nada.
senão esta dura falta de ópio que amenize.
quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade."
domingo, 28 de fevereiro de 2010
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
se ao menos o sol saísse. o telefone vibrasse. a gaveta caísse. a luz acendesse. uma música começasse.
se ao menos o interfone tocasse. alguém chegasse. o espelho partisse. sua boca tremesse. seus olhos fechassem.
se ao menos chovesse. as janelas quebrassem. as portas batessem. seus braços se abrissem. e tudo sumisse.
se ao menos o interfone tocasse. alguém chegasse. o espelho partisse. sua boca tremesse. seus olhos fechassem.
se ao menos chovesse. as janelas quebrassem. as portas batessem. seus braços se abrissem. e tudo sumisse.
Quando o mundo parece cinza você tem ânsias de abrir a janela para ver se o cinza aqui dentro não é só o reflexo da vidraça fechada. Você abre e continua cinza. O céu e a vida lá fora estão tão cinzas quanto o ar aqui dentro.
Em dias cinzas assim. Você respira e o céu também é pesado. O ar entra com dificuldade e seus pulmões imploram por um pouco de fumaça. Cada batida do seu coração é um estrondo e os trovões lá de fora estão apenas na sua cabeça.
Não vai chover, você sabe que não, o sol só acordou de mau humor e resolveu ficar escondido. E a vontade é de poder se esconder como ele, já que a fuga é impossível. Não se pode fugir para sempre. Mas se fosse possível você com certeza o faria. Sem olhar para trás e sem pensar meia vez. Mas seus fantasmas continuam te acordando no meio da noite e você não tem mais treze anos. O mundo não é uma bola de gude e pessoas têm vontades e sentimentos que você repudia. Os dias se arrastam devagar e o mundo ainda gira ao contrário.
Se ao menos você encontrasse uma resposta. Um motivo. Uma explicação... uma pedra no meio do caminho, uma luz se acendesse, o mundo explodisse ou uma estrela caísse. Se ao menos suas canetas fossem laranjas.
E você pinta as unhas, pinta os cabelos, pinta as letras e pinta as lentes. Tentando colorir tudo de vermelho.
Mas nada. O mundo dos três lados, da vidraça e do espelho, continua cinza. Os olhos que te encaram de volta continuam não sendo os seus. A meias nos seus pés também não são as suas.
Só esse céu cinzento coberto de infelicidades. Só esse aperto e esse peso do tamanho do mundo turvando seus olhos e os mantendo no chão. A esperança esmagada nas entrelinhas. E seu urubu pintado de verde trancado naquela gaiola. As cartas na gaveta. Os retratos na estante e os quadros nas paredes. E as flores de papel de cigarro. Tudo cinza. Tudo turvo. Como dois pés esquerdos. Como se afogar num trem. Como um silêncio canhestro. Como um dia chuvoso de Dezembro. Como um fim de tarde sem pôr-do-sol. Como um sorriso triste.
Em dias cinzas assim. Você respira e o céu também é pesado. O ar entra com dificuldade e seus pulmões imploram por um pouco de fumaça. Cada batida do seu coração é um estrondo e os trovões lá de fora estão apenas na sua cabeça.
Não vai chover, você sabe que não, o sol só acordou de mau humor e resolveu ficar escondido. E a vontade é de poder se esconder como ele, já que a fuga é impossível. Não se pode fugir para sempre. Mas se fosse possível você com certeza o faria. Sem olhar para trás e sem pensar meia vez. Mas seus fantasmas continuam te acordando no meio da noite e você não tem mais treze anos. O mundo não é uma bola de gude e pessoas têm vontades e sentimentos que você repudia. Os dias se arrastam devagar e o mundo ainda gira ao contrário.
Se ao menos você encontrasse uma resposta. Um motivo. Uma explicação... uma pedra no meio do caminho, uma luz se acendesse, o mundo explodisse ou uma estrela caísse. Se ao menos suas canetas fossem laranjas.
E você pinta as unhas, pinta os cabelos, pinta as letras e pinta as lentes. Tentando colorir tudo de vermelho.
Mas nada. O mundo dos três lados, da vidraça e do espelho, continua cinza. Os olhos que te encaram de volta continuam não sendo os seus. A meias nos seus pés também não são as suas.
Só esse céu cinzento coberto de infelicidades. Só esse aperto e esse peso do tamanho do mundo turvando seus olhos e os mantendo no chão. A esperança esmagada nas entrelinhas. E seu urubu pintado de verde trancado naquela gaiola. As cartas na gaveta. Os retratos na estante e os quadros nas paredes. E as flores de papel de cigarro. Tudo cinza. Tudo turvo. Como dois pés esquerdos. Como se afogar num trem. Como um silêncio canhestro. Como um dia chuvoso de Dezembro. Como um fim de tarde sem pôr-do-sol. Como um sorriso triste.
sábado, 12 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Amanhã...
Sinto uma angústia tão grande. Já falei que sofro por antecipação? Pois é...
E nada nem ninguém consegue aplacar essa dor. Dez anos, a mesma... Eu fujo, fujo... tento... mas por mais que eu me perca o passado sempre me encontra.
Nem me reconheço mais. Os olhos que me encaram no espelho não são os meus.
Me sinto infinitamente triste. Rir de tudo é desespero.
Achei que poderia esquecer ao menos esse ano... mas parece que é impossível.
Se ao menos... sei lá... eu conhecesse alguém diferente.
"Páginas arrancadas. Não me lembro de ter feito isso.
Pelo visto é a primeira vez que escrevo em dois anos."
Acho que eu sou muito triste.
Preciso aprender a rir sozinha. Chorar eu sei, bem até demais. Tenho motivos suficientes só por ser Dezembro.
Sinto medo. E não quero chorar mais.
Sinto uma angústia tão grande. Já falei que sofro por antecipação? Pois é...
E nada nem ninguém consegue aplacar essa dor. Dez anos, a mesma... Eu fujo, fujo... tento... mas por mais que eu me perca o passado sempre me encontra.
Nem me reconheço mais. Os olhos que me encaram no espelho não são os meus.
Me sinto infinitamente triste. Rir de tudo é desespero.
Achei que poderia esquecer ao menos esse ano... mas parece que é impossível.
Se ao menos... sei lá... eu conhecesse alguém diferente.
"Páginas arrancadas. Não me lembro de ter feito isso.
Pelo visto é a primeira vez que escrevo em dois anos."
Acho que eu sou muito triste.
Preciso aprender a rir sozinha. Chorar eu sei, bem até demais. Tenho motivos suficientes só por ser Dezembro.
Sinto medo. E não quero chorar mais.
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