quarta-feira, 6 de maio de 2009

" um dia desses talvez a alma mude de nome, como também de vida "

Às vezes, de repente, tudo fica tão difícil que parece que Deus se esqueceu. Mas na verdade fomos nós que nos esquecemos. Dele e do que éramos antes de sermos “nós”, quando éramos apenas “eu” ou “você”.

Ninguém pode fazer nada para nos ajudar, se não quisermos ser ajudados. Nada vai cair do céu em nossas mãos e mudar nossas vidas de repente. Nem tudo passa, mas talvez você passe por aqui e me faça esquecer tudo que eu fiz, tudo que fizemos.

Perdi o bonde e a esperança, perdi a fé no mundo e nas pessoas, perdi a calma, perdi você, perdi tudo. Volto todos os dias para casa cismando na derrota incomparável. A tristeza é do tamanho do mundo e o mundo ficou enorme, de um instante pro outro.

Fomos além de todos os limites, esgotamos todas as possibilidades. Acabou. Não sobrou espaço para mais nada. Nem pedra sobre pedra. Apenas cartas marcadas. Não nos entendemos mais. Não esperamos mais ser surpreendido pelo outro. Não esperamos mais do que educação, beijo sem paixão, crime sem castigo, aperto de mãos, apenas bons amigos. Hoje, brigas e ciúmes, são só o que existe entre nós dois. Só conseguimos nos entender quando o nível de álcool e hormônios em nosso sangue são suficientemente altos para qualquer coisa ser ruim.

Quando tudo começou eu não fazia idéia de onde o barco iria desaguar, e veja você até onde chegamos. Longe demais e tarde demais.

Eu nunca quis te ganhar, inventei motivos e desculpas, construí castelos, desenhei um universo inteirinho e te entreguei numa bandeja tudo de mais belo que eu tinha, te dei todas as verdades e olhares que podia, te dei minha palavra, minha honra e meu respeito, lágrimas sofridas e feridas do meu peito.

Eu te via em todo lugar, fiz de tudo céu e via em tudo o mar. O seu olhar era um lago onde eu havia mergulhado e não queria nunca ter que submergir. Tanto que forjei, tanto te soltei. Eu entendo você se você quiser ir embora, porque não vai ser a primeira vez nas últimas 24 horas. Parecia exagero, mas eu sou mesmo exagerada, jogada aos seus pés te traria mil rosas roubadas. Venho ao mesmo lugar todos os dias, só para te encontrar por acaso.
E não é nenhuma novidade ficar uma semana sem dormir, bebendo para esquecer, tentando me afogar em álcool até que você me esqueça, tentando te afogar junto com a vontade de sumir de vez daqui, no fundo de cada copo. Fechando bares pela madrugada, fazendo apostas e perdendo a dignidade, a identidade, o emprego, o tempo e a vida. Procurando seu abraço em outros braços, seu cheiro em outros perfumes, seus beijos em outras bocas, seu olhar no espelho. Tentando dar a outros o amor que só cabe em seus braços.

Você me quis em todo lugar, e eu, ingênua lia intenção em cada olhar e vivia presa. Hoje, de manhã, quando o último bar se fecha me lembro que não tenho para onde ir. Apesar dos amigos e das bebidas e festas, não faz diferença, o divertido era dividir minhas alegrias e tristezas com você. È um doce te amar, o amargo foi quere-te pra mim. Numa esquina nossas vidas se cruzaram, e numa mesa de bar te conheci, e quando você me beijou a primeira vez eu senti que nunca mais haveria nada igual na vida, e porque todo dia quando acordava a primeira coisa que eu procurava e queria ver era o seu rosto, eu achava que nosso amor ia durar. A gente tem que amar alguma coisa, e, eu sabia o que eu queria e o que eu queria estava em minhas mãos, e era você. Mas agora eu não sei mais. Preciso me ver antes de te ter e ser tua, me lembrar o que eu queria, o que eu fazia. Os dias que eu me vejo só, e me sinto o último dos mortais sobre a face da terra são os dias que eu me encontro mais.

Eu sei que você já beijou outras bocas que não a minha, também já amou a outras quando não me conhecia. Mas toda bossa é nova e você não liga se é usada. O triste é que todo carnaval tem seu fim, a primavera se foi e esse é o fim. Pra que mudar? Talvez um dia a gente se encontre. Talvez encontre explicação. Isso que você me pede eu não posso fazer porque desse jeito você me perde, eu perco você. Do mesmo jeito que o que você não pode eu não vou te pedir e o que você não quer eu não quero insistir.

Só imploro que você diga a verdade, doa a quem doer. Roendo as unhas eu me arrependo de ter dito “nem pensar”, eu sei, o que eu disse foi sem pensar, mas eu fui sincera como não se pode ser, te amei como uma pessoa não pode amar outra nos dias de hoje, Um erro tão vulgar que me persegue a noite inteira, todas as noites, e quando a bebedeira acaba ele ainda consegue me achar, num bar, com um vinho barato, um cigarro no cinzeiro e uma cara embriagada no espelho do banheiro. E como castigo , neste instante, tenho meu coração nas mãos, como um refrão de bolero.

E o mais terrível é que no começo eu só queria brincar de ser feliz, achando que podia pintar o mundo cinza através da janela, e pra isso só precisava da ajuda do meu nariz!

Hoje, eu só me pergunto com qual coragem você me repudia tanto, minutos depois de me beijar e ver a tristeza em meu olhar. E espero que a alma mude de nome, como também de vida, e também que exista alguém pra me libertar.








[a frase do título é da Net, Leynet, mas o texto não.]

Um comentário:

Anônimo disse...

menina vc foi criativa engenheiros e los hermanos e um bocado ai ! xD~
gostei !

agora outra frase minha
" o amor é punhal em maos de leigos"

^^v

Leynet